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segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Notas do Inusitado

Saudações!

Numa ensolarada tarde de segunda-feira, uma figura extremamente peculiar num ônibus urbano em Campinas chamou bastante a atenção. Um sujeito cabeludo, barbudo, trajando vestes desencanadas mas sem ser maltrapilho, com jeito de hippie e fortíssimo sotaque castalhanomostrou-se um verdadeiro artista urbano. Munido de um violão a tiracolo e de um monociclo, se apresentou como um uruguaio chamado Leandro e performou algo que passou bem perto de um espetáculo. Apesar do sotaque, falava bem e em nenhum momento se fez de coitado. Cantou, brincou, gerou suspense e andou de monociclo dentro do ônibus, gerando toda uma expectativa acerca da façanha. Tratou o público, digo, os passageiros com muito respeito, referindo-se sempre como Damas y Caballeros e conseguiu arrancar olhares atentos das crianças, sorrisos das senhoras, alguns trocados e muitas garrafinhas de água.

Qual o sentido dessa postagem? Fazer um paralelo com um caso ocorrido em Nova Iorque que gerou discussões acerca do valor intrínseco da arte: um sujeito posicionado na entrada de uma estação do metrô tocava violino e os transeuntes passavam por ele, indiferentes. Entretanto, o sujeito é um músico de renome que, quando se apresenta, os ingressos são caríssimos. O instrumento? Um Stradivarius legítimo.

Ora, as pessoas nas cidades grandes estão acostumadas a verem pessoas explorando a própria desgraça em troca de qualquer quantia em dinheiro (quase nunca pedem por comida ou por emprego) num teatro imoral e sensacionalista. Um estrangeiro sem sequer falar o português com fluência consegue garantir para si alguns trocados e, o mais importante, transmitir cultura na forma de manifestações artísticas à população. Ele agregou diferentes valores a cada expectador. Principalmente quando disse que "um dia as pessoas se cansam de trabalharem, de terem suas rotinas e passam a viajar para viver de arte."

2 comentários:

Sir Psycho disse...

Há certas coisas da mente humana que nunca entendi. Casos de transeuntes em transporte público, degradando-se por qualquer farrapo, por exemplo.
Tá... eu até entendo em certo ponto, para ser sincero.

Mas esse caso foi, no mínimo, inusitado. Arte de verdade, digamos, a troco de nada.

Pensamentos e discussões sobre isso renderiam vários posts. =D

Tati disse...

Ah gostei bastante desse seu post.. mas pra variar to com preguiça de comentar ! hahaha
bjus gato